I.I Aisó


 



Encontramos esse lugar — após andarmos perdidos por algum tempo — sob um calor que frequentemente era suavizado por um sopro afável: Aisó.

Aisó tem um cheiro diferente, difícil de descrever, mas é algo… vivo. É parte a doçura das flores, parte o frescor das folhagens e da água corrente, parte o terroso do solo, o amadeirado das árvores, o cítrico das frutas… Difícil descrever.

Tudo alí era muito vivo; Os sons, os cheiros, a vegetação, a terra, a água, o ar, a luz, os seres que volta e meia avistávamos, tudo era vivo. E a sensação que nos preenchia é que tudo tinha o mesmo e inestimável valor, pelo mesmo motivo: vivia.

Vivia! Não “existia”. Toda mínima partícula alí tinha uma consciência pessoal, mas era parte de uma coisa só — era inacreditável. Nenhum Ser era só. Ou melhor, nenhum Ser era um só: eram híbridos de dois ou três outros Seres, cada um com sua consciência. E viviam em paz — bem… a maioria deles.

Apesar de serem vários em um, não se viam como algo independente, e nem eram. Suas características, habilidades e sentidos eram somados, quando permitiam. Se não quisessem fazer parte da soma, não faziam. Mas era raro isso acontecer. A vida era muito mais interessante quando unidos, todos sabiam.

A caça ao Colecionador de Suspiros começou quando o Bumie apareceu por aquelas terras.


© 2017 by Lorena Bernardes

Goiânia, Brasil